quarta-feira, 2 de maio de 2012

O TEXTO E A IMAGEM



No âmbito da articulação do Departamento de Expressões e do Departamento de Línguas (Português) e dando cumprimento ao Plano Anual de Atividades do Agrupamento, os alunos leram e analisaram o conto " Saga" de Sofia de Melo Breyner Andresen,  nas aulas de Língua Portuguesa e, a partir de um excerto do mesmo, fizeram uma representação expressiva nas aulas de Educação Visual. Para tal, podiam utilizar suportes, materiais e técnicas diversificadas.

"O mar  Norte, verde e cinzento, rodeava Vig, a ilha, e as espumas varriam os rochedos escuros. Havia nesse começo de tarde um vaivém incessante de aves marítimas, as águas engrossavam devagar, as nuvens empurradas pelo vento sul acorriam e Hans viu que se estava formando a tempestade. Mas ele não temia a tempestade e, com os fatos inchados de vento, caminhou até ao extremo do promontório."
                              in Sofia de Melo Breyner Andresen, Histórias da Terra e do Mar, 1972

 Poderás ver os resultados expostos, a partir do dia 22 de Maio, no bloco principal do edifício da Escola Ana de Castro Osório e mais tarde na biblioteca escolar do mesmo edifício.
Como vês nesta pequena mostra a imaginação e a criatividade imperaram!!
A todos, o nosso obrigado!

As Coordenadoras:
Dulce Paixão
Elisabete Nabais da Cruz
VIDEO RESUMO DE "SAGA"

Agora Comentas Tu

Os trabalhos que fizeste no âmbito da atividade "Agora Comentas Tu" também já estão expostos na Biblioteca da ACO. Os seus dinamizadores foram os professores da disciplina de Ciências Naturais.

Alunos do 7ºK trocam correspondência com jovem de 97 anos

TEXTOS DE ALUNOS

A docente de Língua Portuguesa, Dulce Paixão, numa sessão de "Oficina de Escrita", em contexto sala de aula, sugeriu aos alunos que estes produzissem contos populares. Selecionou dois, que vão ser aqui publicados. O poema " Liberdade" foi realizado no âmbito das comomerações do 25 de abril.

terça-feira, 1 de maio de 2012

TEXTO 7º K


Samuel Aranda vence World Press Photo 2011

A foto de Samuel Aranda, tirada dentro de uma mesquita utilizada como hospital durante os confrontos entre polícia e manifestantes contrários ao regime do presidente Ali Abdullah Saleh, serviu de retrato simbólico da Primavera Árabe que inundou o Médio Oriente no ano passado, de acordo com o comunicado publicado pelo júri do prémio. "É uma fotografia que fala em nome de toda uma região. Representa o Iémen, o Egito, a Tunísia, a Líbia, a Síria, por tudo o que aconteceu n Primavera Árabe. Mas mostra um lado privado, íntimo, do que se passou. E mostra o papel que as mulheres tiveram, não apenas como prestadoras de cuidados, mas como pessoas ativas no movimento", escreveu Koyo Kouoh, um dos elementos do júri.


A Ana Rita Matos, aluna do 7ºH, refletiu sobre o cenário que a imagem mostra e apresentou, de forma sucinta, a sua opinião sobre a situação em que se encontram as pessoas retratadas e as emoções que poderão estar a sentir naquele momento

Acho que esta imagem demonstra claramente que, mesmo durante a guerra e no meio de tanta desgraça, há sempre espaço para o carinho entre as pessoas.
Nesta imagem, vemos um homem ferido devido à guerra e também uma mulher a tentar confortá-lo. Talvez uma enfermeira, mas mesmo que seja só isso, uma enfermeira, nota-se que sente um enorme carinho por aquele homem que está a agarrar. Deve sentir uma enorme tristeza por ver alguém que parece tanto amar, partir.
E esse homem ferido, por mais experiências que a vida lhe possa ter trazido, saberá sempre que houve alguém, neste enorme planeta, que o amou.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

25 de Abril - Trabalhos dos alunos na disciplina de E.M.R.C.

Estes foram os trabalhos lindíssimos que os alunos realizaram na disciplina de E.M.R.C., tendo como ponto de partida a importância da LIBERDADE. Parabéns ao professor Luís Almeida e a aos seus alunos!

terça-feira, 24 de abril de 2012

Comemoração do Dia Mundial do Livro

No dia 23 de abril, festejámos o Dia Mundial do Livro com a realização do "Concurso Descobre o Livro", dirigido ao 1º e 3º ciclo, tendo os alunos de descobrir o nome dos livros "espalhados" pela escola através de pistas alusivas a vários aspetos dos mesmos. O Professor Luís Almeida apresentou, também, "o seu livro mais bonito" a algumas turmas do 1º ciclo. A professora Graça Albuquerque, com a colaboração de alguns alunos do 7º H, elaborou uma exposição com várias sugestões de leitura para os alunos do 1º ciclo, desafiando-os a indicarem o que consideram o "livro mais lindo".

Projeto "Conta-me Uma História" - história "O Nabo Gigante" de Alexis Tolstoi e Niamh Sharkey

No início do mês de abril, os alunos do 1º E, F e 2º A, assitiram a uma dramatização da História "O Nabo Gigante". Os alunos mostraram-se muito interessados e participativos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Concurso "Descobre o Livro"

A 23 de Abril celebra-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Foi a UNESCO que, em 1995, instituiu o Dia Mundial do Livro. A data serve ainda para chamar a atenção para a importância do livro como bem cultural, essencial para o desenvolvimento da literacia e do desenvolvimento. A biblioteca escolar decidiu comemorar este dia promovendo o concurso "Descobre o Livro", que consiste em fornecer algumas informações sobre livros e autores. Para concorreres, basta que descubras de que livro se trata. Dirige-te à biblioteca e participa!

Entrega dos Prémios relativos aos Concursos "Mulheres Célebres", "Leitor do Mês" e "Nacional de Leitura"

terça-feira, 17 de abril de 2012

AUTOR DO MÊS

MANUEL ALEGRE

Quase um auto-retrato
Aos vinte e poucos anos escrevi: “meu poema rimou com a minha vida”. Era ainda muito cedo, não sei sequer se é verdade, embora muitas coisas me tivessem já acontecido: amores, partidas, guerra, revoltas, "prisões baixas". O que mais tarde me levaria a dizer: "biografia a mais". Muito antes, lá pelos vinte, tinha lido uma frase de André Gide que me impressionou. Dizia ele: "a análise psicológica deixou de me interessar desde o dia em que cheguei à conclusão de que cada um é o que imagina que é." Até que ponto sou o que me imaginei ser? Se soubesse pintar (mas não sei) faria o meu auto-retrato a olhar para ontem, ou para dentro, ou para outro lado. Distraído-concentrado, presente-ausente, um não sei quê.
Acusam-me de altivez e narcisismo. É sobretudo reserva, timidez e uma incapacidade física de praticar uma certa forma portuguesa de hipocrisia e compadrio. Ou talvez um tique que herdei de família: levantar a cabeça, olhar a direito.
Tenho desde pequeno a obsessão da morte. Não o medo, mas a consciência aguda e permanente, sentida e vivida com todo o meu ser, de que tudo é transitório e efémero e não há outra eternidade senão a do momento que passa. Talvez por isso seja um homem de paixões. Mas não vivi nunca póstumo, nem me construí literariamente. Sei que nenhum verso vence a morte. E não acredito sequer na literatura.
Na poesia, sim. Mas como ritmo, como música interior, canto e encanto, incantação, exorcismo, uma forma de relação mágica com o mundo. A um professor brasileiro que trabalhava numa tese sobre mim, respondi: "Escrita e vida são inseparáveis. Embora eu entenda a poesia como experiência mágica, algo que está aquém e além da literatura."
Penso, como Teixeira de Pascoais, que "o ritmo é a substância das cousas" e que "a poesia nasceu da dança." Talvez por isso eu goste de flamenco, a música e a dança que estão mais perto do ritmo primordial, da batida do coração e da própria pulsação da terra. Gosto de flamenco e de um certo tipo de fado e dos tangos de Francisco Canaro. E também de Bach e Mozart. Pelas mesmas razões: o ritmo. E da poesia de Lorca que, ao contrário de ideias feitas, nada tem de folclórico ou regionalista, antes se aproxima das energias primitivas e essenciais e é quase, como diria ainda o autor de Marânus, "um bailado de palavras."
Não sei se, como queria Rimbaud, consegui fazer "coincidir a essência da poesia com a existência do poema." Cantei, canto. Demanda, errância. Não há senão esse procurar. Na vida, na escrita. Quando faço aquilo de que gosto, faço-o intensamente. A pesca, por exemplo. Ou a viagem. Ou a partilha: um bom jantar em família com alguns amigos, uma reunião conspirativa, a camaradagem na nunca perdida ilusão de que a revolução ainda é necessária e possível.
Diria que é outra forma de escrita. Intensa, densa, tensa. Como o amor. E talvez a morte.
Herdei de minha mãe uma certa energia, o gosto da intervenção. De meu pai, o desprendimento, uma irresistível e por vezes perigosa tendência para o desinteresse. Inclusivamente pelos bens materiais. Não é por acaso que só me prendo realmente ao que poderia chamar as minhas armas: espingardas propriamente ditas, "gostei muito de caçar", canas de pesca, carretos, canetas, livros (alguns livros), discos. Os grandes espaços: o deserto, o Atlântico, o Alentejo. E sítios. Certas cidades. Outrora agora: Coimbra, Paris, Roma, Veneza, Lisboa. Certos lugares: o Largo do Botaréu, em Águeda, o rio, a ria (de Aveiro), Barra, Costa Nova. Mais recentemente: Foz do Arelho, Barragem de Santa Clara. Certos recantos: a minha casa de Águeda, o solar, já perdido, da minha avó, em S. Pedro do Sul, as casas da minha tia e meus primos na Anadia, a casa de Sophia, a minha casa em Lisboa. A minha mulher, os meus filhos, a minha irmã, os meus amigos. Uma grande saudade dos que morreram, principalmente de meu pai, a quem, por pudor e reserva (somos parecidos), nunca cheguei a dizer em vida o que gostaria de lhe dizer aqui.